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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Augusto, dinheiro resolve o problema da educação?

Confira.
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Bom dia, Augusto.
Tudo bem?

Quando falamos de educação, especialmente em um país como o Brasil, torna-se quase intuitiva a resposta: o problema é a falta de investimento.

Costumamos ter a crença categórica de que dinheiro pode resolver o problema educacional que atravessamos.

Existe uma vasta discussão filosófica para se ter a respeito do tema, mas neste e-mail queremos nos deter em algo mais simples: os números da educação brasileira indicam que dinheiro resolve o problema?

Segundo o Banco Mundial, analisando o gasto com educação em relação ao gasto público total, o Brasil investe acima da média dos países membros da OCDE (organização que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta), mais de 16,2% dos recursos públicos vão para o setor, contra 10,3% de média da organização.

Os números do Brasil são superiores ao de nações como Coreia do sul, Suíça, Dinamarca e Noruega. No quesito investimento proporcional aos gastos públicos, o Brasil está em sexto lugar. 

Entretanto a gestão desse investimento parece ter falhas graves.

Além de o Brasil aparecer nos últimos lugares do PISA (principal ranking internacional de avaliação da performance educacional), temos um desequilíbrio entre investimento na educação de base x investimento na educação universitária.

Gastamos em média R$12.000 por ano com aluno do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, contra R$36.000 do aluno universitário.

Nós gastamos mais com nossos universitários do que a Coreia do Sul, país que sempre aparece entre os primeiros colocados no ranking de avaliação da educação. 

Em média, os países membros da OCDE gastam 50% a mais por estudante de ensino universitário do que com os do ensino primário. Nós gastamos 300% a mais.

Os salários de professores universitários de instituições públicas federais no Brasil, entre 133 mil e 254 mil reais por ano, são bem mais elevados do que os de muitos países da OCDE e comparáveis aos dos países nórdicos como Finlândia, Suécia e Noruega. 

Se considerarmos todos os servidores públicos que trabalham com educação no Brasil, há aproximadamente 15 não-professores para cada 10 professores, média bem acima dos países desenvolvidos que é de 5 não-professores para cada 10 professores.

Esse é um dado que aponta a existência de burocratas que ganham dinheiro público destinado à educação sem nunca ter pisado em uma sala de aula como educador.

Para o Banco Mundial, seria possível manter o padrão atual de educação com 37% menos recursos no Ensino Fundamental e 47% menos recursos no Ensino Médio.

As universidades federais já gastam, sozinhas, 0,7% do PIB, e o relatório do Banco Mundial aponta que aproximadamente ¼ desse dinheiro é desperdiçado.

O que vemos com esse cenário é que o Brasil investe proporcional aos países desenvolvidos, mas permanece nos últimos lugares dos principais rankings educacionais.

De acordo com os números, verificamos que a ponta do ensino fundamental é a mais frágil do gasto público em educação.

Se considerarmos o dinheiro desembolsado para bancar estudantes até a quinta série, o Brasil gasta menos da metade da quantia média gasta por países desenvolvidos.

Por que isso está acontecendo?

É uma das perguntas que estamos investigando no nosso novo documentário Pátria Educadora.

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Lucas Ferrugem.
Brasil Paralelo.

Enviado por Brasil Paralelo

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