| Bom dia, Augusto. Tudo bem? Quando falamos de educação, especialmente em um país como o Brasil, torna-se quase intuitiva a resposta: o problema é a falta de investimento. Costumamos ter a crença categórica de que dinheiro pode resolver o problema educacional que atravessamos. Existe uma vasta discussão filosófica para se ter a respeito do tema, mas neste e-mail queremos nos deter em algo mais simples: os números da educação brasileira indicam que dinheiro resolve o problema? Segundo o Banco Mundial, analisando o gasto com educação em relação ao gasto público total, o Brasil investe acima da média dos países membros da OCDE (organização que reúne as nações mais desenvolvidas do planeta), mais de 16,2% dos recursos públicos vão para o setor, contra 10,3% de média da organização. Os números do Brasil são superiores ao de nações como Coreia do sul, Suíça, Dinamarca e Noruega. No quesito investimento proporcional aos gastos públicos, o Brasil está em sexto lugar. Entretanto a gestão desse investimento parece ter falhas graves. Além de o Brasil aparecer nos últimos lugares do PISA (principal ranking internacional de avaliação da performance educacional), temos um desequilíbrio entre investimento na educação de base x investimento na educação universitária. Gastamos em média R$12.000 por ano com aluno do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, contra R$36.000 do aluno universitário. Nós gastamos mais com nossos universitários do que a Coreia do Sul, país que sempre aparece entre os primeiros colocados no ranking de avaliação da educação. Em média, os países membros da OCDE gastam 50% a mais por estudante de ensino universitário do que com os do ensino primário. Nós gastamos 300% a mais. Os salários de professores universitários de instituições públicas federais no Brasil, entre 133 mil e 254 mil reais por ano, são bem mais elevados do que os de muitos países da OCDE e comparáveis aos dos países nórdicos como Finlândia, Suécia e Noruega. Se considerarmos todos os servidores públicos que trabalham com educação no Brasil, há aproximadamente 15 não-professores para cada 10 professores, média bem acima dos países desenvolvidos que é de 5 não-professores para cada 10 professores. Esse é um dado que aponta a existência de burocratas que ganham dinheiro público destinado à educação sem nunca ter pisado em uma sala de aula como educador. Para o Banco Mundial, seria possível manter o padrão atual de educação com 37% menos recursos no Ensino Fundamental e 47% menos recursos no Ensino Médio. As universidades federais já gastam, sozinhas, 0,7% do PIB, e o relatório do Banco Mundial aponta que aproximadamente ¼ desse dinheiro é desperdiçado. O que vemos com esse cenário é que o Brasil investe proporcional aos países desenvolvidos, mas permanece nos últimos lugares dos principais rankings educacionais. De acordo com os números, verificamos que a ponta do ensino fundamental é a mais frágil do gasto público em educação. Se considerarmos o dinheiro desembolsado para bancar estudantes até a quinta série, o Brasil gasta menos da metade da quantia média gasta por países desenvolvidos. Por que isso está acontecendo? É uma das perguntas que estamos investigando no nosso novo documentário Pátria Educadora. Não esqueça de curtir, comentar e compartilhar. Precisamos de você nos apoiando nas redes sociais. Juntos podemos fazer o que sozinhos seria impossível. |
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